Joinville, o nordeste catarinense e a Segunda Guerra Mundial – por Wilson de Oliveira Neto

No próximo dia 8 de maio, será comemorado o aniversário de 70 anos do fim da Segunda Guerra Mundial na Europa, historicamente conhecido como “Dia da Vitória”. O conflito foi iniciado em 1º de setembro de 1939, quando houve a invasão alemã à Polônia. Ele só foi encerrado em 2 de setembro de 1945, com a rendição incondicional do Japão. Entre 1942 e 1945, o Brasil participou ativamente da guerra ao lado dos Aliados.

Os reflexos do envolvimento brasileiro com a Segunda Guerra Mundial são abordados pela bibliografia desde o final da década de 1940, na forma de livros de história, de memórias ou de outras naturezas, como por exemplo, coletâneas de reportagens e diários. Com a aproximação dos 70 anos do término do conflito, novos trabalhos estão sendo produzidos e publicados, e mostram que mesmo encerrada há sete décadas, a Segunda Guerra Mundial continua a surpreender.

A memória e a história da Segunda Guerra Mundial também estão presentes no Nordeste catarinense. É possível percebê-las caminhando pelas ruas de cidades como Joinville e São Bento do Sul, que têm monumentos, praças e ruas dedicadas à memória acerca da guerra. Além disso, os “mais antigos” recordam-se que “no tempo da guerra” foi proibido falar alemão. Em Jaraguá do Sul, por exemplo, há um museu dedicado ao assunto, o Museu da Paz, criado em 2010.

Estudar e narrar a história da Segunda Guerra Mundial na região envolve lidar com tudo isso, além da consulta aos arquivos públicos e privados existentes, tal como o Arquivo Geral do 62º Batalhão de Infantaria (Joinville), e do diálogo com inúmeros autores que estudam a guerra em seus diversos aspectos. Mas, o que representou a Segunda Guerra Mundial em Joinville e no nordeste catarinense?

Ela representou, por um lado, o recrudescimento das medidas de nacionalização, implementadas em 1938, quando foi iniciada a Campanha de Nacionalização. Em contrapartida, a gravidade do estado de guerra desencadeou a mobilização da população civil local, a realização de operações militares de patrulha ao longo do litoral norte de Santa Catarina e, finalmente, o recrutamento o envio de inúmeros cidadãos da região à Força Expedicionária Brasileira (FEB). Muitos deles não chegaram a embarcar para a Itália, onde a FEB participou de diversas operações militares contra inimigos alemães e italianos, porém muitos que foram tinham origem alemã, “os soldados alemães de Vargas”, como narra o historiador Dennison de Oliveira.

Na Itália, a 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária da FEB se envolveu em mais de duzentos dias de ação militar contra o inimigo. Entre os joinvilenses que estiveram engajados, alguns não voltaram para casa, em 1945. São os expedicionários Alfredo Estevão da Silva, Augusto Gonçalves Cardoso e Gehard Holtz. Seus restos mortais repousam na cripta do Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, localizado na cidade do Rio de Janeiro. Mas, a lembrança de seus nomes faz parte da história da guerra em Joinville e região.

Sobre mais sobre Wilson de Oliveira Neto:
Wilson de Oliveira Neto é professor e historiador nas cidades de Joinville e São Bento do Sul. É graduado em História pela Univille, onde também obteve o título de Mestre em Patrimônio Cultural e Sociedade. Suas áreas de atuação em estudos históricos são a História Militar Regional e o Patrimônio Histórico.

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