“Joinville de Ontem” – Um espaço virtual para compartilhar lembranças – Entrevista com Valmir Santhiago

Valmir Santhiago, criador do grupo virtual "Joinville de Ontem"

Valmir Santhiago, criador do grupo virtual “Joinville de Ontem”

Há um ano, milhares de pessoas interagem em um espaço virtual com um objetivo único: relembrar a Joinville do passado. Criado pelo comerciante Valmir Santhiago em fevereiro de 2014, no Facebook, o grupo “Joinville de Ontem” já conta com mais de 15 mil integrantes que, diariamente, reviram seus álbuns de família, seus documentos e suas memórias, e relatam um pouco das histórias do dia a dia da cidade. Tudo permeado por uma boa dose de saudade daquela Joinville de outros tempos.
Nessa entrevista, Santhiago conta um pouco das motivações que o levaram a criar o grupo, das emoções que marcaram esse primeiro ano de atividades e de como nasceu esse amor por Joinville – seu “porto-seguro”, como ele mesmo define.

Maria Cristina Dias – O “Jonville de Ontem” está há um ano no ar e já reuniu mais de 15 mil pessoas que se interessam por Joinville. Como surgiu a ideia de criar o grupo?
Valmir Santhiago – A ideia se revela a partir do fato de você ser apaixonado por um tempo que deixou marcas. Ser um saudosista é chave para transmitir isso. É entender que o tempo deve ser recordado e pessoas de uma época merecem ser mencionadas, pois tiveram papel fundamental na História. Sempre gostei de História. Quando eu era menino, ocorreu uma grande tragédia em Itajaí: o incêndio no navio gaseiro da Petrobras. Eu tinha seis anos, morava lá e vi o céu ficar cor de fogo, vermelho – uma imagem que eu nunca esqueci. Muito tempo depois, foi escrito um livro contando a história desse acidente. Eu queria o livro e entrei em contato com o autor pelo Facebook e vi que havia um grupo sobre o assunto. Aí surgiu a ideia de criar um grupo sobre Joinville. Mas sobre a “Joinville de Ontem”.

MCD – Como você definiria o grupo “Joinville de Ontem”?
VS – Defino o grupo como uma ferramenta que desperta a paixão pela História de Joinville. Lembrando que nossa Joinville tem seu início com um príncipe e uma princesa, o que, por si só, já é marcante. Conhecer estas histórias é motivante, além de esclarecedor.

Joinville de Ontem, mostrando a antiga Confeitaria Michaelis

Joinville de Ontem, mostrando a antiga Confeitaria Michaelis

MCD – A que você atribui esta receptividade que fez com que a quantidade de integrantes aumentasse tão rapidamente?
VS – Penso que esta frequência é devido à seriedade do grupo. Hoje o “Joinville de Ontem” tem mais de 200 pessoas excluídas temporariamente por não respeitar as regras do grupo. Este é um fato que garante a credibilidade que o grupo requer .

MCD – Neste primeiro ano, algum fato ou história te emocionou de alguma maneira? Por quê?
VS – Muitas coisas me emocionaram no decorrer deste primeiro ano. Quero enumerar pelo menos três. Entre as visitas de muitas pessoas – das quais muito sou grato -, destaco a visita da senhora Myrta Trinks, com seu álbum de fotos. Ela me entregou o álbum para postar no grupo. Também me emocionei com a senhora Jutta Hagemann querendo me conhecer pessoalmente. Cito estas duas pessoas pela rica história que elas têm e que acrescentam a nossa cidade. A terceira coisa foi o encontro do grupo, realizado em setembro, no Rio da Prata, e que reuniu mais de 180 pessoas.

Imagem de capa do grupo "Joinville de Ontem mostra uma obra na esquina da rua 15 de Novembro com rua Dr João Colin.

Imagem de capa do grupo “Joinville de Ontem mostra uma obra na esquina da rua 15 de Novembro com rua Dr João Colin.

MCD – Você nasceu em Joinville? De onde vem esse amor pela cidade e essa vontade de conhecê-la?
VS – Não sou filho desta terra. Nasci em Penha (SC), mas aos seis anos pisava este solo. Fui criado pelos meus avós e minha infância teve três cidades distintas: Itajaí, Joinville e Santos. Meus avós me levavam sempre com eles. Durante estas idas às outras cidades, ficava com Joinville na minha cabeça. Nunca contei isso para ninguém, hoje falo pela primeira vez… Quando pequeno e quando tinha a oportunidade de estar ao lado da BR, bem próximo à ponte que cruza o rio Itajaí, eu ficava olhando para o sentido Norte, pensando: “prá lá fica Joinville… eu quero um dia ir prá lá”. Eu procurava visualizar Joinville na beira do asfalto, embora a 80 km de distância. Coisa de criança, hehe, mas que teve sentido na minha vida. Até que aqui se tornou o meu porto-seguro. Impressionante o nosso destino.

MCD – Em 2015, o que podemos esperar em relação ao grupo? Tem alguma novidade, alguma ação em vista?
VS – Não tenho nada em mente, mas semana passada alguém me procurou para fazer um novo encontro. Eu disse: “bom, se alguém quiser tomar a iniciativa, eu sou totalmente a favor”. Vejamos no decorrer do ano o que pode acontecer .

Comentários