Advento – Tempo de se preparar para o Natal

Fleyer 3Este domingo, 3 de dezembro de 2017, é o primeiro domingo do advento. Um tempo em que começamos a preparar os nossos corações para a chegada do Natal. Nesta matéria publicada originalmente no jornal Notícias do Dia/Joinville, em 2015, uma família conta a tradição que faz questão de manter com os filhos e netos. E dois sacerdotes explicam o significado da data. Vale a pena ler.

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Advento – Tempo de se preparar para o Natal. A cada vela acesa, uma lembrança da luz de Cristo que está para chegar

Maria Cristina Dias
Neste domingo, quando o designer têxtil Sidney Schroeder, reunir a família em torno da mesa, ler a Bíblia e acender a primeira vela da coroa do advento, estará fazendo mais do uma simples oração. Estará começando uma caminhada em direção ao Natal e mantendo viva uma tradição que trouxe dos pais, avós e bisavós, e cultiva, a cada ano, em sua casa: a celebração do advento, um ritual de preparação espiritual para a chegada de Jesus Cristo, em 25 de dezembro. “Ele nos prepara para a Noite Santa”, constata.

Sidney explica que na noite de cada um dos quatro domingos que antecedem o Natal, ele, a esposa, os três filhos e respectivos cônjuges, e os netos, sentam ao redor da mesa, em um momento de confraternização e união. Abrem o evangelho, escolhem uma passagem e leem em voz alta, refletindo e explicando a mensagem para o entendimento de todos e, principalmente, da criançada. Depois dão as mãos em uma oração e, por fim, acendem a vela. A cada semana, uma vela a mais é acesa, até que na última semana, a que antecede o 25 de dezembro, as quatro velas do advento iluminam a casa, simbolizando que está tudo pronto para a chegada do Natal. “Formamos uma corrente de amor, respeito e oração, agradecendo pelo ano que está findando e pedindo a Deus a graça de nos preparar espiritualmente para o recebimento das bençãos da Noite Santa”, detalha ele, explicando que músicas natalinas instrumentais podem ser colocadas ao fundo, mas não se sobrepõem à confraternização. Da mesma forma, o lanche é servido em outro momento e está longe de ser o centro das atenções – na hora do advento, a preparação espiritual é o foco das atividades.

A preparação contém outros elementos. Nesta época, a casa recebe os primeiros enfeites e o aroma das bolachas de melado já são sentidos no ambiente, o que já vai fazendo com que a família entre no clima. Cada peça tem um significado e ele é destacado, explica Sidney. Assim, o verde da coroa do advento lembra o pinheiro, que resiste às intempéries e mantém a cor durante todo o ano. “Significa a tenacidade, o poder de Deus… mesmo que haja intempéries em nossa vida, a gente tem que resistir”. Já as velas e os laços são vermelhos, para lembrar o amor e a doação de Jesus. “Vermelho é a cor do amor. Lembra Jesus, que nos amou e derramou o vermelho de seu sangue para nossa redenção”, ensina Sidney.

Com essas reflexões, semana após semana, mesmo durante a agitação comum nessa época do ano, vai se criando um ambiente, dentro de casa, de paz. E a intenção é que esse clima se reflita fora de casa, no trabalho e nas demais relações. “A gente luta tanto… O mundo tem tantos conflitos, em todos os seus quadrantes… Isso também nos atinge”, afirma o designer, destacando que a intenção é que este clima de paz e respeito exercitado no advento seja levado para a vida. “E isso você leva para o trabalho, para o dia a dia… quando você tem o coração puro, as pessoas que te cercam sentem isso, sentem algo diferente, percebem que você é uma pessoa agradável”, destaca Sidney, que quer deixar esta herança de gerações para seus descendentes. “Ainda está de pé e estou tentando passar isso para os meus filhos, porque faz muito bem. Essa é a herança que posso dar para deixá-los fortalecidos”, afirma.

A luz que humaniza

Este tempo de reflexão e preparo espiritual não é só celebrado dentro de casa, em família. Ele também é um momento de encontro das comunidades cristãs. A pastora Eli Deifeld, da Igreja da Paz, revela que mesmo entre os luteranos, já não é tão comum se celebrar o advento em casa e muitas famílias optam por celebrar na igreja. “E a gente quer incentivar isso.” Param marcar isso, a Igreja da Paz celebra o tradicional Culto à Velas, uma celebração festiva que marca o começo do advento para o luterano.

A pastora explica que o calendário litúrgico é dividido em três blocos: o advento, que é o tempo de preparação para o Natal, o nascimento de Jesus; a Páscoa, que inclui toda a quaresma; e o tempo comum, que vai da Páscoa ao Natal. A cor usada na liturgia é mesma da Páscoa, o lilás, ou roxo, que representa a espera. “Dentro da igreja é um tempo de espera, de preparo. O advento é a preparação para o Natal”, ensina, explicando que ele termina no último domingo antes do Natal, conhecido como Cristo Rei.

Na Igreja da Paz, o Culto à Velas, marca tradicionalmente o início do período. A celebração é composta por uma cantata preparada pelo Coral da Paz. A ornamentação da igreja conta com três grandes pinheiros, simbolizando o verde, que nunca morre, e o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Para completar, a coroa do advento, que tem sua primeira vela acesa. “Ela representa a chegada da luz de Deus no mundo”, destaca, explicando que é uma noite de introspecção. “Um momento para se voltar para a espiritualidade e se perguntar para onde a gente está indo”. A decoração inclui ainda elementos como sinos e anjos, cada um com sua simbologia própria.

O mais importante do período, porém, destaca a pastora, é cultivar o momento de reflexão que às vezes fica esquecido diante do consumismo frequente nesse período. Nada contra comprar presentes, agradar a quem se quer bem, mas o mais importante é não se perder no ato das compras e deixar de lado o verdadeiro sentido dessa época do ano. “Queremos incentivar que o advento seja não só um tempo de comprar presentes, mas principalmente de se preparar com Deus e a humanidade. Este é o momento de reflexão”

E por que as luzes? “Acima de tudo é para lembrar que a luz de Cristo brilha. Que a luz de Deus se fez ser humano, em Cristo, para justamente nos humanizar”, ressalta.

Tempo de solidariedade e esperança

Para os católicos, o advento também é um tempo de espera e preparação para o que há de vir, ou seja, para a chegada de Jesus Cristo. O padre Ivanor Macieski, assessor Diocesano de Comunicação, porém, explica que esse evento é visto e vivido pela igreja Católica de duas formas: a primeira como a espera pelo Deus que vem ao encontro de cada um todos os dias, seja na figura de uma outra pessoa, um irmão, ou nos acontecimentos da vida. “Todo dia pode – e deve – ser Natal porque Deus vem ao nosso encontro na forma de uma pessoa”. Isso ajuda a entender porque especialmente nessa época do ano a solidariedade é é exercitada de forma mais acentuada. “A melhor forma de encontrar Deus é ajudar o irmão. Por isso é um tempo de solidariedade”, afirma, destacando que as atitudes concretas traduzem os gestos de amor.

A segunda forma como o evento é vivido pela igreja é como a espera, a lembrança e os preparativos para a vinda de Jesus no final dos tempos. “Seria o nosso encontro final com o Senhor. A gente tem que estar preparado para esse momento”, destaca. Na prática, essa preparação ocorre nas quatro semanas que antecedem o dia 25 de dezembro, com a intensificação das missas e das novenas nas casas dos fiéis – e também da prática da confissão, que traz em si a lembrança de que é preciso preparar o coração para este momento de encontro, pedindo perdão.

A cor da liturgia é o roxo, o mesmo usado na Quaresma. O tempo do advento, porém, tem na esperança sua principal mensagem. A coroa do advento, com suas quatro velas, também é usada no ritual católico, a cada domingo. Ela é usada nas missas e nos grupos de família realizados nas comunidades. “Simboliza que a luz está próxima. É a espera do Senhor, que é a luz”, reforça o padre.

Para Ivanor Macieski, o grande cuidado nessa época é não deixar que o consumismo que toma conta das ruas e do comércio ofusque esse significado espiritual do Natal. Ele lembra que o hábito de trocar presentes vem da ideia de que Deus deu à humanidade o que ele tinha de mais valioso, o próprio filho. Para o sacerdote, porém, o maior presente que pode ser dado nessa época não é o material, mas o sentimento que ele traz em si.

Uma prática incentivada pela Igreja Católica é a montagem de presépios, que lembra a cena do nascimento de Jesus. O padre lembra que o primeiro presépio foi montado por São Francisco de Assis, o que explica a simplicidade da cena e a presença dos animais. Ao lembrar o nascimento de Jesus, o presépio acaba sendo uma forma de catequização. A única observação é que, embora a montagem possa ser feita com antecedência, a imagem do menino Jesus só deve ser colocada no presépio no dia 25 de dezembro, quando é simbolizado o seu nascimento. Até lá, neste período de advento, a manjedoura permanece vazia, à espera do menino que veio trazer a luz.

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