Coleções – Lembranças na ponta de cada lápis

 

Christina Schroeder e a coleção de lápis que seu pai lhe deixou. Crédito: Maria Cristina Dias

Christina Schroeder e a coleção de lápis que seu pai lhe deixou. Crédito: Maria Cristina Dias

Massas Alimentícias Stein, Banco Inco, Petrolina Minâncora, Casa do Aço. H. Jordan ou Expresso Joinvilense. Christina Schroeder abre uma pequena caixa de papelão e as lembranças de empresas e produtos que fizeram parte do cotidiano de quem viveu em Santa Catarina nas décadas de 1940, 50, 60 ressurgem em um instante, em uma coleção de lápis antigos – todos de marcas famosas na região.

Durante cerca de 10 anos Hellmuth Robert Raeder trabalhou como vendedor e na contabilidade do Frigu, um grande estabelecimento comercial de Corupá, no Norte Catarinense. Quando os representantes comerciais iam ao local oferecer seus produtos e anotar os pedidos deixavam como brinde um lápis com as marcas das empresas que representavam. Lápis era algo muito usado, um brinde útil e requisitado pelos clientes.

Hellmuth Raeder gostava de escrever. Tinha uma cultura geral obtida com o hábito de ler, que cultivava desde muito jovem. Filho do proprietário de um estabelecimento tradicional em Curitiba, a Relojoaria Raeder, ele nasceu em 1905, se formou em Contabilidade e ainda solteiro saiu de sua cidade para trabalhar como contador na abertura de uma estrada que ligava o interior do Paraná ao Mato Grosso. De lá, noivou por carta com a jovem Hildegard Hermann, que morava em um sítio, em Corupá. Em suas longas cartas, ele descreve as rotinas, os hábitos e as dificuldades para abrir uma estrada. Em 1930 casou-se com e foi para o sítio com a esposa. E depois, nos anos 40 e até se aposentar, foi trabalhar no comércio – sempre como contador.

Hellmuth Robert Raeder, pai de Christina Schroeder. Acervo Christina Schroeder. Reprodução: Maria Cristina Dias

Hellmuth Robert Raeder, pai de Christina Schroeder. Acervo Christina Schroeder. Reprodução: Maria Cristina Dias

Gostava dos lápis e sempre que os recebia de brinde, levava para a filha Christina Schroeder, ainda menina, nos anos 50. Na época, ela não dava muita bola para os brindes, mas ele continuava trazendo e guardando. Aos poucos, juntou dezenas de unidades, que a filha conserva até hoje. “Trazia para mim. E eu guardei por 50 anos”, revela Christina, aos 71 anos, ao olhar os 190 lápis coloridos de várias empresas de Santa Catarina e Paraná, arrumados lado a lado na pequena caixa. Talvez de alguma forma já soubesse que eles lhe trariam boas recordações no futuro.

Hoje os lápis formam uma pequena coleção que trazem para ela a lembrança de um pai que escrevia, que lia, que valorizava o conhecimento. E contribuem para identificar alguns hábitos de consumo de quem vivia na região em meados do século 20 e resgatar a lembrança de produtos que marcaram uma época.

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