Rua do Príncipe, esquina com a rua Princesa Isabel – A Confeitaria Dietrich

“Esta foto mostra o cruzamento da Rua do Príncipe com a rua Princesa Isabel. Ao fundo, a Confeitaria Dietrich e o Flamboyant que ouviu muitas histórias, declarações de amor, fofocas e um montão de coisas”, comenta a leitora Fátima Rosa, que compartilhou com o site Maria Cristina Dias – Histórias Vividas, Histórias Contadas algumas imagens antigas de Joinville que ela não cansa de admirar.

Rua do Príncipe esquina com a rua Princesa Isabel. Ao fundo, a Confeitaria  Dietrich. Acervo Fátima Rosa

Rua do Príncipe esquina com a rua Princesa Isabel. Ao fundo, a Confeitaria Dietrich. Acervo Fátima Rosa

A Confeitaria Dietrich deixou saudades em Joinville (SC). Aberta por volta de 1915, ela era um ponto de encontro na cidade e ainda há quem lembre com saudades do bolo inglês, do Baumkuchen (“tronco de árvore”), Apfelstrudel ou dos Stollens que eram feitos no local.

Esta história começou com Johann Dietrich, que chegou no Brasil há mais de 130 anos e adquiriu o terreno na esquina da rua do Príncipe com a rua Princesa Isabel, bem no centro de Joinville. A princípio, ele abriu no local uma fábrica de charutos e cigarros – tudo enrolado à mão. Em reportagem de Maria Cristina Dias, publicada em 2011 no jornal Notícias do Dia/Joinville, a bisneta dele, Helena Dietrich, na época com 90 anos e morando no Rio, contou que o velho Johann gostava de cantar enquanto trabalhava. Os amigos se reuniam para ouvi-lo e, enquanto isso, o ajudavam a enrolar os charutos e cigarros. Só tempos depois abriu o negócio na área de alimentos.

Nos primeiros anos do século 20, seu filho, Johann Konrad August Dietrich, partiu para a Alemanha para aprender o ofício de confeiteiro. Quando voltou, o jovem investiu no estabelecimento e passou a produzir biscoitos, que eram vendidos em latas para Joinville, cidades próximas como São Francisco do Sul, e várias partes do País. Com isso, não tardou a ficar conhecido como “João Bolacha”.

O negócio prosperou e prosseguiu com seu filho, Hans Dietrich, a terceira geração da família à frente da família. É difícil dizer exatamente a data em que Hans assumiu, mas o certo é que ele – literalmente – colocava a mão na massa. Dolores Dietrich, sua nora, na mesma entrevista, contou que, nos anos 60, Hans acordava por volta das 4 horas da manhã para organizar a distribuição de pães pela cidade. A entrega à domicílio era feita com três carroças e uma delas era conduzida pelo próprio Hans. Quando voltava, no meio da manhã, nada de descansar: era hora de fazer os doces que seriam servidos na própria confeitaria. Era ele quem fazia, por exemplo, o bolo inglês que ainda hoje dá água na boca de quem provou.

A Confeitaria Dietrich fazia parte do dia da dia da cidade. Por volta dos anos 50, a Rodoviária de Joinville ficava bem em frente a ela, o que fazia com que fosse um ponto de parada dos viajantes. Também foi local de encontro da juventude por décadas e não foram poucos os namoros que começaram ali. Nos anos 70, já sob comando de Lico (filho de Hans) e Dolores, era local de reuniões dos intelectuais e artistas da cidade, como Victor Kursancew, Índio Negreiros, Hamilton Machado, Antonio Mir e muitos outros.

No final dos anos 70, porém, a morte prematura de Lico, aos 47 anos, acarretou o fim da Confeitaria Dietrich. A esposa Dolores ainda levou o estabelecimento sozinha por dois anos. No início dos anos 80, porém, alugou e depois vendeu o imóvel e a confeitaria. Ficou só com a filial na nova Rodoviária de Joinville, onde trabalhou por mais 30 anos, até decidir se aposentar, por volta de 2005. Mas os tempos dos lanches, bate-papos e namoros à sombra do flamboyant ficaram no passado – e na lembrança de gerações de joinvilenses.

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